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Preparação para o Parto - Parentalidade

Projecto no âmbito da Saúde Materna do Centro de Saúde de Sta Maria da Feira-Tel.912765719-csfeira@gmail.com

casais

Vinculação e vida intra-uterina

quinta-feira, 11 de Setembro de 2008

Nos últimos anos, o desenvolvimento de nova tecnologia e a realização de diversos estudos, possibilitaram o conhecimento do desenvolvimento do bebé dentro do útero... O bebé não vive numa silenciosa bola de cristal; é antes um ser receptivo que vê, ouve toca, saboreia (Sara, 2008). Assim sendo, as experiências vividas no útero materno acabam por se repercutir no comportamento do recém-nascido, na sua organização perceptiva e cognitiva, bem como, nas relações afectivas entre mãe-pai-bebé.

No entanto, a nossa sociedade (pais, família, profissionais de saúde, educadores), de uma forma geral, ainda continua a atribuir maior valor à realização de exames na altura adequada, aos sintomas físicos/desconfortos que surgem na gravidez, em detrimento dos aspectos da relação mãe-pai-filho, do grau de envolvimento e participação na gravidez e no processo de construção da maternidade.

Futuros pais:
- já foram informados que o bebé ainda dentro de ventre começa a desenvolver os órgãos sensoriais (visão, audição, olfacto, tacto, paladar)?
- já foram motivados para alicerçar a vossa relação com o bebé ainda antes do nascimento?
- interessaram-se em descobrir/investigar como se desenvolve o bebé dentro do útero?
- têm desenvolvido a vossa relação com o feto? Sabiam que os elos criados dentro do ventre conferem ao bebé a protecção e segurança que ele necessita?

Pocinho (1999) reporta-se ao período dos anos 40-50, rico em descobertas acerca do desenvolvimento emocional do feto, até aí julgado inexistente. Com estes estudos, o feto começa a ser olhado como um ser dotado de sensibilidade, memória e consciência, capaz de aprender, ouvir, tocar, brincar e sentir as emoções da mãe.


Da mesma forma, Montagner (1993), citado por Pocinho (1999), defende que a mãe e o bebé começam a conhecer os respectivos ritmos e reacções, ainda antes do nascimento.
O mesmo autor (1993) reconhece que o feto pode receber mensagens químicas que traduzem as modificações de fisiologia e de psiquismo da mãe, chegando mesmo a perceber certos estímulos do meio em que a mãe está inserida. Estas influências combinam-se para que a partir do nascimento, o bebé esteja habilitado a responder e a ajustar-se a um conjunto de estímulos que lhe são familiares desde a vida intra-uterina. Só assim se compreende os comportamentos surpreendentes de recém-nascido, a forma como reage aos carinhos, às cantigas, à voz da mãe!

A relação mãe-bebé in utero tem sido bastante estudada; alguns autores chegam mesmo a salientar que existem 3 tipos de comunicação (Verne e Kelly (1984), citado por Pocinho (1999:54-55):

- Comunicação “de carácter fisiológico”, que se configura como inevitável, uma vez que mesmo as mães que rejeitam os filhos, comunicam com eles através do fornecimento de nutrientes e de oxigénio e da recepção dos produtos de excreção do feto. Não obstante, se a grávida se sentir angustiada e stressada poderá transmitir, por processo hormonal, esse estado ao feto.

- Comunicação de “carácter do comportamento”: o feto manifesta a sua ansiedade, medo e desconforto através de pequenos pontapés. A grávida também pode comunicar através do seu comportamento, por exemplo, a massagem do ventre.

- “Comunicação por simpatia: é um misto das duas outras situações de comunicação, embora mais profunda. Como exemplo, sabe-se que um feto consegue sentir se é ou não amado, mas não é só pelo facto da mãe acariciar a barriga ou por ser alimentado. Isto será, então, explicado pela comunicação por simpatia. É esta simpatia, resultante de um amor estável, que tornará mais fácil a vinculação pós-natal.

Sabe-se, também, que o bebé reage ao batimento cardíaco materno e à música suave, uma vez que lhe proporcionam um ambiente tranquilo e seguro. Neste âmbito, é importante que a grávida controle as suas emoções, uma vez que a partir das 26-28 semanas de gestação o feto já ouve claramente quer o batimento cardíaco, quer a sua voz, quer os sons do exterior, podendo reagir bruscamente, dando pontapés, à música rock, à discussão dos seus pais, ao ruído do fogo de artifício, entre outros.

Outro assunto controverso refere-se à capacidade do feto memorizar experiências no ventre materno entre o 6º- 8º mês de gestação. Torna-se, então, fundamental estabelecer precocemente a comunicação com o feto, de forma a transmitir segurança, confiança, amor e carinho, essenciais para o seu desenvolvimento harmonioso.

De acordo com Stott, investigador da universidade de Glásgua, mencionado por Pocinho (1999), o recém-nascido só não consegue explicar as sensações maternas que experimentou in útero por que não sabe falar. No entanto, o investigador considera que as experiências maternas vivenciadas no útero pelo feto podem-nos ser reveladas pelo estado físico e emocional que o bebé apresenta ao nascer.
Futuros pais:
Aproveitem o período de gravidez para iniciar uma bela relação com o vosso bebé: conversem com ele, acariciem-no, ouçam música tranquila, relaxem...
Envolvam os filhos mais velhos (se existirem) neste processo.

E, já agora, entrem nas leituras anterioes de Junho de 2008 e leiam o artigo sobre competências fetais.
_______________________________________ Vânia Coimbra

posted by Milagre de Vida, Quinta-feira, Setembro 11, 2008 | link | Participe escrevendo aqui 9 |
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