INFERTILIDADE: quando o Milagre da Vida tarda em chegar...
terça-feira, 25 de Novembro de 2008
O que é infertilidade?
A infertilidade é um problema comum, tanto em homens como em mulheres, que se manifesta por uma incapacidade temporária ou permanente de conceber um filho ou em levar a termo uma gravidez.
Segundo a Associação Portuguesa de Infertilidade, um casal é infértil quando não alcança a gravidez desejada ao fim de um ano de vida sexual contínua, sem métodos contraceptivos. Nestas circunstâncias, devem aconselhar-se com um médico. Contudo, isso não significa que a gravidez não possa ocorrer naturalmente após esse período ou recorrendo a técnicas específicas, uma vez que a infertilidade total, ou esterilidade, é uma situação rara.
Qual é a prevalência da infertilidade?
Actualmente, calcula-se que cerca de 20% da população tenha algum tipo de infertilidade. A prevalência da infertilidade conjugal é de 15-20% na população em idade reprodutiva, sendo a taxa de infertilidade masculina similar à taxa de infertilidade feminina. No entanto, cerca de 80% dos casos, apresentam infertilidade nos dois membros do casal.
A taxa é maior em países menos desenvolvidos, pois a existência de doenças com consequências negativas ao nível do aparelho reprodutivo e a falta de recursos de saúde para controlar esses problemas, são mais elevados.
Contudo, a infertilidade tem aumentado nos países industrializados, devido ao adiamento da idade de concepção, à existência de múltiplos parceiros sexuais, aos hábitos sedentários e de consumo de substâncias prejudiciais à saúde (álcool, tabaco, drogas...).
Quais são as causas da infertilidade?
As causas de infertilidade podem ser múltiplas.
As principa
is causas de infertilidade feminina são: alterações hormonais, ovário poliquístico, endometriose, obstrução tubular, muco cervical incompetente, anomalias genéticas, patologia uterina, tumores malignos, malformações anatómicas, gravidez ectópica, interrupção voluntária da gravidez e abortamentos de repetição.
As principais causas de infertilidade masculina são: criptorquidia, anomalias endócrinas, genéticas, ejaculação retrógrada, anejaculação, lesões do escroto, tumores malignos e anomalias anatómicas.
Ainda existem outras causas de infertilidade, comuns a ambos: relações sexuais com múltiplos parceiros/as, doenças sistémicas, traumatismos, acidentes, stress, hábitos de consumo (alcool, tabaco, drogas).
Que tipos de infertilidade existem?
A infertilidade pode ser classificada em dois tipos: primária ou secundária, consoante essa incapacidade fisiológica ocorre respectivamente numa primeira ou numa segunda ou mais gravidezes.
O que fazer?
Em cerca de 10% dos casos não é possível determinar as causas da infertilidade, mas
mesmo nesses casos é ainda possível uma intervenção.
O casal com problemas de infertilidade deve consultar um especialista de Reprodução Medicamente Assistida (RMA), nas consultas de infertilidade dos hospitais públicos ou nas clínicas privadas, dessa especialidade.
É importante que ambos os elementos do casal sejam examinados, de forma a escolher o tratamento mais adequado à situação.
Quais são os tratamentos disponíveis?
Existem
várias técnicas de reprodução medicamente assistida:
- Indução da ovulação
- Inseminação intra uterina
- Fecundação in vitro
- Microinjecção
- Diagnóstico genético de pré implementação
- Criopreservação de tecido ovárico, ovócitos, sémen e tecido testicular
- Doação de ovócitos e espermatozóides.
Quais os cuidados que deve ter para prevenir a infertilidade?
várias técnicas de reprodução medicamente assistida:
- Indução da ovulação
- Inseminação intra uterina
- Fecundação in vitro
- Microinjecção
- Diagnóstico genético de pré implementação
- Criopreservação de tecido ovárico, ovócitos, sémen e tecido testicular
- Doação de ovócitos e espermatozóides.
Quais os cuidados que deve ter para prevenir a infertilidade?
- Promover uma alimentação saudável
- Interditar o tempo junto de equipamentos que transmitam radiações
- Praticar desporto regularmente (3x/semana)
- Usar roupa larga e ventilada
- Usar equipamento de protecção no trabalho
- Ter as vacinas em dia (VASPR - sarampo, papeira, rubéola e VHB - hepatite B)
- Fazer correcções cirúrgicas atempadamente
- Avaliar o desenvolvimento físico e sexual nas consultas da especialidade
- Não consumir tabaco, álcool e drogas
- Manter um sono regular de pelo menos 8 horas
- Viver uma sexualidade saudável
- Realizar exames: ecografia pélvica, mamografia/ecografia mamária, citologia do colo do útero, espermograma, de acordo com a situação apresentada
- Consultar médico de RMA se houver: história familiar de infertilidade, acne (espinhas/borbulhas), pilosidade aumentada (pêlos excessivos), períodos irregulares ou amenorreia (ausência de periodo menstrual), lesões genitais, anomalias do pénis ou dos testículos.
Lara Franco do Couto Monteiro (Enfermeira do Centro de Saúde de Santa Maria da Feira, em estágio no Curso de Preparação para o Parto)
Bibliografia
http://www.apfertilidade.org/
http://www.medicosdeportugal.saude.sapo.pt/
- Interditar o tempo junto de equipamentos que transmitam radiações
- Praticar desporto regularmente (3x/semana)
- Usar roupa larga e ventilada
- Usar equipamento de protecção no trabalho
- Ter as vacinas em dia (VASPR - sarampo, papeira, rubéola e VHB - hepatite B)
- Fazer correcções cirúrgicas atempadamente
- Avaliar o desenvolvimento físico e sexual nas consultas da especialidade
- Não consumir tabaco, álcool e drogas
- Manter um sono regular de pelo menos 8 horas
- Viver uma sexualidade saudável
- Realizar exames: ecografia pélvica, mamografia/ecografia mamária, citologia do colo do útero, espermograma, de acordo com a situação apresentada
- Consultar médico de RMA se houver: história familiar de infertilidade, acne (espinhas/borbulhas), pilosidade aumentada (pêlos excessivos), períodos irregulares ou amenorreia (ausência de periodo menstrual), lesões genitais, anomalias do pénis ou dos testículos.
Lara Franco do Couto Monteiro (Enfermeira do Centro de Saúde de Santa Maria da Feira, em estágio no Curso de Preparação para o Parto)
Bibliografia
http://www.apfertilidade.org/
http://www.medicosdeportugal.saude.sapo.pt/
Nota: Falaremos brevemente sobre a temática da adopção
Etiquetas: Infertilidade
Acende a vida, o cigarro, não!
sábado, 15 de Novembro de 2008
A influência do tabagismo na vida reprodutiva (1ª parte)
segunda-feira, 10 de Novembro de 2008
Está amplamente comprovado que o tabaco constitui um produto nocivo para a saúde da mulher nas diferentes fases da sua vida reprodutiva, especialmente durante a gravidez, uma vez que não a afecta somente a si própria mas também o bebé.1.1 - Tabaco e ciclo menstrual
De acordo com a OMS (2001) a mulher fumadora apresenta mais dismenorreia (dor durante período mesntrual). Alguns estudos salientam que quanto maior o número de cigarros maior o risco de menstruações dolorosas. Não obstante, as fumadoras apresentam também ciclos mais irregulares e mais curtos.
Quando as mulheres param de fumar, o período menstrual tem tendência a voltar ao normal, assemelhando-se aos das não fumadoras (Brown e Vessey, 1998 referenciados por Fatela, 2005).
De acordo com Johnson e Whitaker (1992) citados por Fatela (2005:97) “também há evidência limitada que o tabaco está associado a amenorreias secundárias (falta do período menstrual); as adolescentes que fumam têm duas vezes maior probabilidade de faltas de três ou mais períodos consecutivos. ”
1.2 - Tabaco e contracepção hormonal
Tal como já foi mencionado, o tabaco interage com os contra
ceptivos orais (pílula), sobretudo com aqueles que contêm estrogénios, aumentando o risco de AVC (acidente vascular cerebral, mais conhecido como trombose) e de doença coronária.Segundo a OMS (1996) referenciada por Fatela (2005:97): “o tabaco e os contraceptivos orais actuam sinergicamente, sendo o risco maior que a soma dos dois; o risco de enfarte do miocárdio pode ser até vinte vezes superior”. De acordo com a mesma fonte, o risco cardiovascular das mulheres fumadoras eleva-se sete vezes mais que o das não fumadoras.
Além disso, estudos efectuados por Sparrow (1998) mencionados por Fatela (2005) sugerem que apesar da falha dos contraceptivos orais ser um fenómeno raro, as mulheres fumadoras apresentam um risco duas vezes maior de falência quando usam um contraceptivo oral combinado.
1.3 - Tabaco e menopausaDe acordo com a OMS (2001) a mulher fumadora atinge a menopausa cerca de dois anos mais cedo que a não fumadora.
Estudos evidenciam que o risco de ocorrer uma menopausa precoce (menopausa antes do tempo considerado normal) nas fumadoras é duas vezes maior que o das não fumadoras, acrescentando ainda que nas ex-fumadoras o risco é de cerca de um terço.
Além disso, as mulheres fumadoras experienciam um maior número de sintomas relacionados com a menopausa, como sejam suores, insónias, afrontamentos, entre outros (OMS, 2001). Associada à menopausa surge também a osteoporose que, nas mulheres fumadoras assume uma maior gravidade ,com o consequente risco de ocorrência de fracturas.
1.4 - Tabaco e cancro do colo do útero
O cancro do colo do útero constitui uma das maiores causas de morte na mulher em todo o mundo. Estudos efectuados por Catellsagué et al (2001) referenciados por Fatela (2005) sugerem que entre um grupo de mulheres infectadas com HPV (vírus do papiloma humano), as que fumam têm um risco duas a três vezes acrescido de desenvolver cancro invasivo do colo.
Além disso, Prokopazyc et al (1997) concluíram que tanto a nicotina como alguns carcinogéneos presentes no tabaco foram detectados no muco crevical das fumadoras (secreção natural da mulher, produzida no colo do útero que muda ao longo do ciclo por acção de hormonas ) (Fatela, 2005).
Por outro lado, o tratamento de lesões provocadas pelo cancro tem maior sucesso se a mulher deixar de fumar (Acladious et al (2002) in Fatela (2005)
1.5 - Tabaco e fertilidadeDesde há já alguns anos atrás que se conhece a relação entre tabaco e a diminuição da fertilidade, tanto masculina como feminina, relação esta que resulta de alterações no metabolismo das hormonas sexuais.
“Estudos em animais sugerem que a nicotina e o fumo do tabaco têm efeitos adversos na interacção do ovo fertilizado” (Mattinson et al, 1989 citado por Fatela, 2005:97).
Está provado que o tabaco, para além de reduzir a quantidade e a qualidade do esperma, no que respeita ao número de espermatozóides com mal formações e à sua mobilidade, contribui ainda para a danificação do seu material genético (Reddy et al, 1995; Merino et al, 1998; Sofikitis et al, 2000 in Fatela, 2005).
De acordo com Curtis et al (1997) citado por Fatela (2005) a probabilidade das mulheres fumadoras engravidarem encontra-se diminuída em 10-40% por ciclo, dependendo da quantidade de cigarros fumados. Quanto maior o número, maior é o tempo da dificuldade em engravidar.
A OMS (2001) sintoniza-se com estes autores uma vez que salienta que a mulher fumadora apresenta duas vezes mais probabilidade de problemas de infertilidade que a não fumadora, incluindo alterações da função tubária (trompas de Falópio).

Por outro lado, as mulheres fumadoras que recorrem a tratamentos de infertilidade por estimulação hormonal da função ovariana apresentam níveis inferiores de formas activas de estrogénios tanto no sangue como no ovário durante o processo de maturação do ovo produzindo, desta forma, uma menor quantidade de ovos (Elenbogen et al, 1991 e Van Voorhis et al, 1992 citados por Fatela, 2005).
A par destes factores, “o tabaco reduz o sucesso quer das técnicas de fertilidade in vitro, quer da técnica de injecção intracitoplasmática de esperma” (Zitzmann et al, 2003 citado por Fatela, 2005:98).
De acordo com Klonoff et al (2001) citado por Fatela (2005:98) “nos casais que um ou os dois fumam a probabilidade de não atingirem a gravidez é 2, 41 vezes superior à dos casais em que nenhum dos elementos do casal fuma. Quanto maior a duração dos hábitos tabágicos pior o prognóstico”.
Próximo artigo: Tabagismo e gravidez
______________________________________ Vânia Coimbra
Bibliografia:
FATELA, Ana Maria – Tabaco e vida reprodutiva: o que as evidências sugerem. Posgraduate medicine. Vol. 23, nº 6 (2005), p. 96-106
(OMS) WHO. Women and the tobacco epidemic: challenges for the 21st century. 2001
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