FELIZ NATAL
terça-feira, 23 de Dezembro de 2008

A influência do tabagismo na vida reprodutiva (2ª parte)
quarta-feira, 17 de Dezembro de 2008
Há já alguns anos que se tem vindo a efectuar estudos clínicos, fisiológicos, patológicos, experimentais e epidemiológicos que retratam, de forma exemplar, os efeitos do fumo no feto.Nesses estudos verificou-se uma associação entre a mulher grávida fumadora e dois tipos de efeitos resultantes do tabaco, ou seja, alguns desses efeitos constituem alterações quantitativas que ocorrem em todas as gestações, como sejam, o atraso de crescimento intra-uterino e o aumento do quoficiente placentar, enquanto que outros desses efeitos são acontecimentos patológicos catastróficos, como o aborto espontâneo e a morte perinatal, que ocorrem apenas numa pequena parte das gestações. No entanto, é fundamental referir que esses efeitos estão directamente relacionados, em ambos os tipos de acontecimentos, com a intensidade do hábito de fumar, podendo ser reduzidos em gravidezes posteriores se a mulher abandonar o hábito (Meyer, 1983).

De acordo com estudos efectuados por Longo (1977) referenciados pelo autor supracitado (1983:144) “os efeitos hipóxicos do hábito materno de fumar ampliam-se no feto porque a capacidade transportadora de oxigénio em ambos os suprimentos de sangue se mostra reduzida, e também porque a pressão de empuxo de oxigénio está duplamente reduzida, uma vez ao cruzar a placenta e outra ao entrar para os tecidos fetais”.
Harmon e Gilber (2003) corroboram com este estudo ao afirmarem que o monóxido de carbono penetra com muita facilidade na placenta, decrescendo a capacidade de transporte de oxigénio pela hemoglobina.
A nicotina, um dos co
mponentes do cigarro, conduz à diminuição da perfusão uterina e a um estreitamento das artérias umbilicais, surgindo como resposta a estes efeitos, o aumento da frequência cardíaca tanto no feto como na grávida e uma diminuição dos movimentos fetais (Harmon e Gilbert, 2003).Para além destes efeitos, o fumo do cigarro interfere igualmente com a assimilação de vitaminas e minerais essenciais. A redução dos níveis de vitamina B12, vitamina C, folato e outras substâncias essenciais à formação do colagénio, do crescimento dos tecidos do feto e manutenção dos vasos sanguíneos pode resultar em alterações da placenta como a “abrupto placentae” ou a ruptura prematura de membranas em grávidas fumadoras (Meyer, 1983).

Meyer (1983) reporta-se a um estudo efectuado por Crosby et al (1977) no qual ficou manifestamente comprovado a ocorrência de uma incidência precoce de alterações placentares com calcificações e focos de fibrina subcoriónicos, levando ao envelhecimento precoce da placenta "placenta envelhecida".
A OMS (2001) assinala ainda que as grávidas fumadoras apresentam um risco duas a três vezes aumentado de ruptura prematura de membranas (rompimento da bolsa de águas antes da 37 semanas de gravide
z). De acordo com Hadley et al (1990) e Wisborg et al (1996) referenciados por Fatela (2005) a vasoconstrição explica a ruptura prematura de membranas bem como o parto pré-termo (parto antes da 37ª semana de gravidez), cujo risco é 1,5 a 2,5 vezes maior nas grávidas fumadoras.Outra das complicações que pode surgir nas gestantes resultante do hábito de fumar diz respeito à gravidez extra-uterina (gravidez ectópica). Estudos efectuados em animais sugerem múltiplos efeitos nefastos do tabaco, prejudicando o normal funcionamento das trompas de Falópio (Mattison et al, 1989 citado por Fatela (2005).
O aborto espontâneo ocorre igualmente com maior frequência nas mulheres fumadoras. O Royal College of Physicians (1992) referenciado por Fatela (2005) estimou que o risco de aborto espontâneo se encontra aumentado em cerca de 25%.

Também Fatela (2005) cita Slotkin et al (1987) e Slotkin (1998) afirmando que o tabaco na gravidez afecta o desenvolvimento cerebral do feto, sobretudo dos sistemas que regulam a captação de oxigénio e a função cardíaca, fenómenos que poderão contribuir para a morte perinatal e neonatal (morte durante a gravidez, parto ou à nascença).
Fatela (2005) cita alguns autores que associam o tabaco ao risco aum
entado de malformações fetais, sobretudo no que diz respeito à fenda palatina e ao lábio leporino cujo risco está aumentado em 30% (Beaty et al, 1997 e Chung e Buchman, 2000) e à ausência ou diminuição dos membros cujo risco aumenta 30% (Kallen, 1997).O baixo peso ao nascer constitui uma consequência do fumo que se encontra consistentemente documentada. Meyer et al (1983) descreve um estudo desenvolvido em 1957 por Simpson que relata que os filhos de grávidas fumadoras pesam entre 100-300g menos ao nascer do que os das não fumadoras, o que implica que o peso final seja quase sempre inferior a 2500g.
Esta redução no peso é significativa, uma vez que os recém-nascidos que nascem com baixo peso para a sua idade gestacional têm maior propensão a sofrerem doenças, com um maior número de dias de hospitalização e têm menor volume pulmonar ao nascimento (Ando e Pérez, 1988 citados por Zamorano et al, 2004).
Barker (1998) citado por Hofhuis et al (2004) frisa o facto do baixo peso à nascença trazer complicações futuras para a criança e adulto, nomeadamente maior risco de incidência de doença coronária, AVC (acidente vascular cerebral), hipertensão, diabetes tipo 2
, resistência à insulina e puberdade precoce.Harding (1997) citado por Hofhuis et al (2004) destaca a importância do crescimento pulmonar intra-uterino. E, neste âmbito, reporta-se a estudos, os quais demonstraram que a exposição ao fumo do tabaco no decurso da gravidez leva a uma redução dos movimentos respiratórios do feto que são essenciais para o seu crescimento normal e para a sua manutenção pulmonar.
O Centro de Saúde de Santa Maria da Feira disponibiliza uma consulta de desbituação tabágica, com uma equipa multidisciplinar perita nesta área, onde os utentes inscritos, incluindo as mulheres que pretendem engravidar ou as grávidas poderão decorrer para obterem apoio no abandono do hábito de fumar.
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..... Se tem vontade de deixar de fumar procure-nos.... não hesite,
....pelo seu bem e pelo bem do seu filho!
___________________________________ Vânia Coimbra
Bibliografia:
FATELA, Ana Maria – Tabaco e vida reprodutiva: o que as evidências sugerem. Posgraduate medicine. Vol. 23, nº 6 (2005), p. 96-106
HARMON, Judith; GILBERT, ELIZABETH. Manual prático de gravidez e parto de alto risco. 2ªed, Rio de Janeiro: Editora Revinter Lda, 2002
HOFHUIS, W. et al – Efeitos da exposição pré-natal e pós-natal ao fumo do tabaco na saúde das crianças. Actualidade em pediatria. Vol. XII (2004) p. 27-34
MEYER, Mary B. (1983). Fumo e gravidez. In Niebyl, Jennifer R. (1983), O uso de drogas na gravidez. S. Paulo: Editora Roca
(OMS) WHO. Women and the tobacco epidemic: challenges for the 21st century. 2001
(OMS) WHO. Women and the tobacco epidemic: challenges for the 21st century. 2001
ZAMORANO, Luísa Sánchez et al - Efecto del tabaquismo durante el embarazo sobre la antropometria al nacimiento. Salud Pública de México. Vol. 46, nº 6 (2004), p 529-533
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26º Curso de Preparação para o Parto!
quinta-feira, 11 de Dezembro de 2008

O Milagre de Vida
deu inicio ontem quarta-feira, ao
26º Curso de preparação para o parto.
Votos de "Boas Vindas" a este magnifico grupo!.
deu inicio ontem quarta-feira, ao
26º Curso de preparação para o parto.
Votos de "Boas Vindas" a este magnifico grupo!.
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Respostas às questões sobre infertilidade
terça-feira, 2 de Dezembro de 2008
Chegou até nós a seguinte questão:"Seria possivel dar indicações sobre essas consultas (de fertilidade) nos hospitais públicos, como chegar lá?"
Também via e-mail foram colocadas questões semelhantes, por isso decidimos dar a resposta aqui.
Quando um casal apresenta dificuldades em engravidar deverá, numa primeira fase, recorrer ao seu médico de família ou médico/ginecologista para expor a sua situação.
Serão certamente aconselhado a realizar alguns exames, após os quais, o médico poderá achar conveniente encaminhar o casal para uma consulta de fertilidade.
Se isso não acontecer em tempo util, o casal tem sempre a liberdade de perguntar ao seu médico porque razão não os envia a uma consulta de especialidade.

A Associação Portuguesa de Fertilidade apresenta no seu site a lista de clínicas públicas e privadas onde podem ser realizados tratamentos de Fertilidade. Clique aqui e consulte
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